SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Batalha de Gogue e Magogue

BATALHA DE GOGUE  E MAGOGUE

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A INVASÃO DE GOGUE E A RELAÇÃO COM A BATALHA DO ARMAGEDOM

Segundo Ezequiel, capítulos 38 e 39 haverá uma grande batalha que ocorrerá no início da tribulação ou um pouco antes. Existem várias considerações que deixam claro que a invasão por Gogue narrada em Ezequiel 38 não é a mesma batalha de Armagedom (Ap 16.16):

 

- Na batalha de Gogue, são mencionados aliados definidos, enquanto em Armagedom todas as nações estão unidas (Jl 3.2; Sf 3.8; Zc 12.3);

 

- Gogue vem do Norte (Ez 38.6,15; 39.2), enquanto em Armagedom os exércitos veem do mundo inteiro;

 

- Gogue vem para saquear (Ez 38-11,12), enquanto em Armagedom as nações se unem para destruir o povo de Deus;

 

- Há um protesto contra a invasão de Gogue (EZ 38.13), mas em Armagedom ele não ocorre, pois todas as nações estão unidas contra Jerusalém;

 

- Gogue é o líder dos exércitos em sua invasão (Ez 38.7), mas em Armagedom é a besta quem lidera (Ap 19.19);

 

- Gogue é derrotado pelas convulsões da natureza (Ez 38.22), mas os exércitos em Armagedom são destruídos pela espada que sai da boca de Cristo (Ap 19.15);

 

- Os exércitos de Gogue são colocados em ordem no campo aberto (Ez 39.5), enquanto em Armagedom são vistos na cidade de Jerusalém (Zc 14.2-4);

 

- O Senhor pede ajuda na execução de julgamento sobre Gogue (Ez 38.21), em Armagedom Ele é retratado pisando sozinho o lagar (grande tanque), onde estarão reunidos os povos e os esmagará na Sua ira (Is 63.3-6).

 

A INVASÃO DE GOGUE AINDA NÃO ACONTECEU

A profecia sobre a invasão de Gogue não se refere a um acontecimento passado na história de Israel. A partir dos detalhes fornecidos nas citações bíblicas, é obvio que nenhuma invasão experimentada na história de Israel cumpre de forma completa essa profecia. No passado ocorreram invasões que trouxeram dificuldades para o povo e para a terra, mas nenhuma corresponde aos detalhes dessa batalha.

 

Concluímos, então, que esses acontecimentos devem ocorrer no futuro, numa ocasião em que Deus estiver tratando com Israel como nação.

 

O TEMPO EM RELAÇÃO A ACONTECIMENTOS ESPECÍFICOS

A invasão apresentada em Ezequiel tem sido relacionada com quase todos os grandes acontecimentos proféticos. Algumas dessas posições devem ser examinadas a fim de apurarmos, o mais cuidadoso possível, quando que esse acontecimentos ocorrerão:

 

A - Alguns estudiosos defendem, primeiramente, que a invasão ocorre antes do arrebatamento da Igreja. Tal é a posição de David L. Cooper, que diz:

 

“è absolutamente impossível alguém localizar o cumprimento dessa previsão após a era milenar. Ela não pode ser colocada no início do milênio nem no fim da tribulação. Deve estar consequentemente antes da tribulação, porque não há outro lugar em que ele possa ocorrer, visto que as outras datas sugeridas são impossíveis”;

 

B - Outros ensinam, em segundo lugar, que a invasão acontecerá no final da tribulação. Muitos estudiosos da Bíblia adotam essa interpretação. Contudo parece haver dificuldades que impossibilitam a aceitação dessa posição:

 

1 – O trecho de Ezequiel não menciona uma batalha. A destruição vem pelas mãos do Senhor, mediante uma convulsão da natureza (Ez 38.20-23). Mesmo que se provasse que a espada no versículo 21 é uma nação, é o Senhor que aparece como agente dessa destruição, em lugar de uma deflagração bélica. Na conflagração do Armagedom haverá uma grande batalha entre o Senhor e suas tropas e as nações reunidas, da qual o Rei dos Reis surge como vencedor;

 

2 – Em Ezequiel a invasão é comandada pelo rei do Norte, com seus aliados, que possuem número limitado. Em Zacarias 14 e Apocalipse 19 todas as nações da terra estão reunidas para a conflagração;

 

3 – Em Ezequiel a destruição ocorre nas montanhas de Israel (Ez 39.2-4). Os acontecimentos do Armagedom ocorrerão em Jerusalém (Zc 12.2; 14.2), no vale de Josafá (Jl 3.12) e em Edom (Is 63.1);

 

4 – Em Ezequiel, Israel estará habitando sua terra em paz e segurança (Ez 38.11). Sabemos que em Apocalipse 12.14-17, Israel não habitará a terra em paz e segurança durante a última metade da septuagésima semana, mas será o principal alvo do ataque de Satanás.

 

Desse modo podemos concluir que a invasão não pode ser identificada com os acontecimentos de Zacarias 14 e de Apocalipse 19 no final da tribulação.

 

C - Existem os que defendem ainda que a invasão acontecerá no início do milênio.

 

Existem argumentos que provam que essa é uma tese impossível:

 

1 – Ezequiel nos diz que a terra será poluída por cadáveres durante sete meses (Ez 39.12). Tal cena parece impossível em vista da purificação que será realizada no retorno do Messias;

 

2 – Jeremias 25.32,33 afirma que o Senhor destruirá todos os ímpios da terra no Seu retorno. Isso é ampliado em Apocalipse 19.15-18.  Parece impossível imaginar que tamanha multidão como a descrita em Ezequiel escape à destruição na vinda do Senhor Jesus e logo depois o enfrente;

 

3 – Em Mateus 25.31-46 todos os gentios são levados perante o juiz para saber quem entrará no milênio. Visto que nenhum descrente, quer judeu quer gentio, entrará nesse reino, é impossível imaginar tal apostasia dos salvos que pudesse cumprir a profecia de Ezequiel.

 

D – Outros ensinam que a invasão acontece no final do milênio. Os que defendem essa posição afirmam que Gogue e Magogue de Ezequiel e de Apocalipse são os mesmos. Isso parece impossível conforme as seguintes considerações:

 

1 – Ezequiel menciona apenas uma coligação do norte na invasão. Em Apocalipse as nações da terra estão reunidas para a batalha;

 

2 – Em Ezequiel não há menção específica à ação de Satanás nem a seu aprisionamento por mil anos antes da invasão, embora ambos estejam ressaltados em Apocalipse;

 

3 – O contexto de Ezequiel mostra que essa invasão ocorre antes da instituição do milênio. Em Apocalipse o milênio já está no final quando a rebelião acontece;

 

4 – Em Ezequiel os corpos dos mortos exigem sete meses para serem retirados (Ez 39.12). Em Apocalipse 20.9, é dito que os mortos serão “devorados” pelo fogo para não precisarem ser retirados;

 

5 – Em Ezequiel a invasão é seguida pelo milênio (caps. 40 – 48). Em Apocalipse esse acontecimento é seguido pelo novo céu e nova terra. Certamente a nova terra não pode ser concebivelmente corrompida por cadáveres insepultos durante semanas.

  

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J. DIAS

FONTES:

Escatologia – Módulo 4 de Teologia da FTB - Editora Betesda

Manual de Escatologia – J. Dwight Pentecost – Editora Vida

Apocalipse Escatologia – Módulo de Teologia do ITQ - Ed. Quadrangular
O Plano de Deus e o Arrebatamento - Enéas Tognini - Editora Candeia

 

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