SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Métodos de Interpretação da Bíblia - Hermenêutica e Exegese

MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA - HERMENÊUTICA E EXEGESE


A IMPORTÂNCIA DA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA

O verdadeiro cristianismo não se rende ao espírito do nosso tempo, o qual abarca filosofias antibíblicas e anticristãs, como a revitalização de valores morais, a aversão às instituições e o hedonismo.


De modo geral igrejas, seminários, editoras, pastores, teólogos, escritores ditos evangélicos tem surgido entre nós disseminando sorrateiramente heresias de perdição na igreja evangélica, com isto retirando muita gente do caminho da salvação e desviando-os para caminhos totalmente distantes de Deus. O conhecimento, entendimento e prática da Bíblia Sagrada são imprescindíveis para o crescimento espiritual do cristão. Precisamos atentar para a Palavra de Deus, que nos adverte: “E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (Atos 20.30).


Para conhecer com profundidade a Palavra de Deus, é preciso conhecer as regras de hermenêutica, pois é por meio dessa ciência que são estabelecidos os princípios, leis e métodos de interpretação.


A Bíblia é um livro compreensível para qualquer pessoa, desde que possua inteligência e conhecimentos suficientes. Com isso queremos dizer que não é um livro hermeticamente fechado, com significados ocultos destinado apenas para iniciados. Qualquer pessoa pode extrair dela o conhecimento necessário para sua salvação e para desenvolver sua vida com Deus.


Não estamos dizendo que todas as pessoas são capazes de ler as Escrituras e formar uma Teologia Sistemática. Entretanto naquilo que é necessário para o conhecimento e salvação a Bíblia se faz entender a qualquer um que assim estiver disposto. Deus deixou para a humanidade um registro escrito de sua revelação justamente com esse intuito.


A HERMENÊUTICA E EXEGESE

A palavra hermenêutica é um legado da língua grega e, primariamente significa expressão de um pensamento, explicação, atividade da inteligência e, sobretudo compreensão humana e interpretação. O termo, possivelmente, se deriva do nome de Hermes, da mitologia grega, considerado inventor da linguagem e da escrita e deus da eloquência, por preferir a persuasão ao uso das armas, por recorrer mais a inteligência do que a força. Seu nome provém da palavra grega herma, que designa os montes de pedra usados para indicar o caminho.


A hermenêutica bíblica, a arte de interpretar a Bíblia, tem como objetivo desenvolver regras para sua interpretação. A hermenêutica tem por objetivo investigar e coordenar de modo sistemático os princípios científicos e leis decorrentes, que disciplinam a apuração do conteúdo, do sentido e dos fins das palavras e a restauração do conceito orgânico dos termos para efeito de sua aplicação e interpretação.


É de salutar importância considerar a hermenêutica como um processo unitário que inclui, além da compreensão e interpretação do texto, também sua aplicação.


A finalidade da hermenêutica bíblica é auxiliar o obreiro, e a qualquer estudante da Bíblia a usar os métodos de interpretações confiáveis, além de estabelecer os principais fundamentos da exegese bíblica como base para o estudo do texto na sua diversidade linguística, cultural e histórica.


A hermenêutica antecede a exegese. Esta por sua vez, faz uso das principais regras e métodos hermenêuticos em suas conclusões e investigações. De uma maneira simples poderíamos dizer que a hermenêutica é a teoria e a exegese é a prática, pois esta aplica os princípios hermenêuticos para chegar a um entendimento correto do texto.


EIXEGESE

Ao contrário da exegese, a eixegese ocorre quando o intérprete aborda o texto com preconceitos, extraindo dele um sentido que já deseja de antemão, ou seja, significa ler no texto aquilo que ele quer encontrar ali, mas que na realidade não se encontra, ou então distorce um texto para adaptá-lo às suas próprias ideias. Em outras palavras, quem usa a eixegese força o texto, mediante várias manipulações. A eixegese usualmente acontece quando um intérprete desconsidera uma regra de interpretação porque está em conflito com as noções preconcebidas e defendidas por ele.


MÉTODOS JUDAICOS DE INTERPRETAÇÃO

Entre os interpretes judaicos havia diversos métodos hermenêuticos, porém existia consenso acerca de diversos pontos entre eles. Em primeiro lugar, era ponto pacifico a inspiração divina das Escrituras. Em segundo lugar, afirmavam que a Torá continha toda a verdade de Deus para a orientação da humanidade. Em terceiro lugar, os exegetas judaicos extraíam muitos significados dos textos bíblicos, o que demonstra que consideravam tanto o sentido literal ou manifesto quanto os implícitos.


Entre os escritos judaicos da antiguidade podemos encontrar pelo menos três métodos hermenêuticos principais: a alegórica, a literal e a tipológica. Vale salientar que essa classificação não é uma regra para os intérpretes judaicos primitivos.


ALEGÓRICA

A forma alegórica consiste na interpretação de um texto da perspectiva de alguma coisa, sem levar em consideração o que quer que seja essa coisa. O mais importante intérprete judeu da forma alegórica foi Fílon, um filósofo judeu do século I, de Alexandria, contemporâneo de Jesus. Para Fílon, as Escrituras possuíam duas formas de ser interpretada: o literal e o subjacente, sendo que este último era recuperado somente por intermédio da exegese alegórica.


Muitos cristãos fazem uso da alegoria para encontrar Cristo no Antigo Testamento. Dessa forma, esse método passou a ser uma estratégia interpretativa para declarar que isso significa aquilo.


Orígenes (185-254) foi o maior dos interpretes alegóricos do cristianismo primitivo. Ele acreditava que as Escrituras continham um significado literal e outro espiritual. O sentido literal do texto, no seu entendimento, era inferior ao significado espiritual. Assim uma Escritura inspirada por Deus tinha que ser interpretada de forma espiritual.


Com base nesse pressuposto, Orígenes desenvolveu uma abordagem tríplice das Escrituras, ou seja, a Palavra de Deus tinha um sentido literal ou físico, um sentido moral ou psíquico e por fim um sentido alegórico ou intelectual. Ao fazer essa divisão ele seguiu Clemente e Fílon, embora adotasse três diferentes sentidos em vez dos dois anteriores, porém na prática menosprezou o sentido literal, raramente se referiu ao sentido moral e usou constantemente a alegoria.


MIDRÁSSHICA

Para os rabinos, a Torá é a própria Palavra de Deus e contém a soma do conhecimento de Deus para seu povo. Pelo fato de ser um produto divino, até mesmo as próprias letras das Escrituras estão repletas de um significado profundo. Sendo assim, a interpretação é o meio pelo qual as Escrituras falam com as gerações subsequentes em situações diferentes. Os rabinos também acreditam em outra Lei, conhecida como Torá Schebealpe (Lei Oral), que é fruto de milhares de anos de sabedoria judaica, um compendio de lei, lenda e filosofia. A força dessa Lei Oral na vida religiosa é muito grande, pois ela exerce influencia sobre a teoria e a prática da vida judaica, dando forma a seu conteúdo espiritual e servindo de guia de conduta.


Essa Lei Oral, para a tradição judaica, serve para interpretar o conteúdo escrito da Lei e também suprir suas lacunas. Do ponto de vista histórico-crítico, é muito difícil precisar quando surgiram no judaísmo as tradições orais e quando surgiu a consciência de uma dupla fonte da Torá, a Oral e Escrita. Entretanto é sugerido historicamente que este processo teve inicio na era do Segundo Templo, com Esdras, sacerdote e escriba.


Essa forma de interpretar as Escrituras tornou-se conhecida como Midrash, usada pelos rabinos e fariseus para sua leitura bíblica. O Midrash tem o significado de comentários, em particular, com a idéia de tornar contemporânea a Escritura a fim de aplicá-la ou torná-la significativa para a situação atual do intérprete.


LITERAL

A maioria dos dicionários descreve o sentido literal como o significado primário de um termo, o significado estabelecido pelo uso comum. Podemos dizer que o significado literal é o significado puro, simples, direto do texto.


Os comentários rabínicos emitem diversos exemplos nos quais as Escrituras Sagradas foram entendidas de forma direta, o que resultou na aplicação do significado manifesto, simples e natural do texto à vida das pessoas.


Jesus fez uso dessa forma de interpretação em alguns de seus discursos, em especial com relação às questões morais. Em Mateus, o mestre repreendeu os fariseus com citações diretas do livro de Êxodo, dizendo: “Honra teu pai e tua mãe...” (Êxodo 20.12), e quem amaldiçoar seu pai e sua mãe certamente morrerá (Êxodo 21.17).


TIPOLÓGICA

A exegese tipológica busca reconhecer e interpretar símbolos, tipos e alegorias das Escrituras fazendo uma correspondência entre pessoas e acontecimentos do passado, do presente e do futuro.


O Antigo Testamento está repleto de tipos aos quais o Novo Testamento se refere e os explica, como já dizia Agostinho: “O Novo está contido no Antigo; o Antigo é explicado pelo Novo”. Sendo assim, é muito importante entendermos qual é o significado de um tipo. Paulo, ao escrever aos coríntios disse: “Ora, tudo isso lhes veio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (ICo 10.11).


Certos personagens bíblicos são referidos no Novo Testamento como tipos, pessoas vivas e reais que deixaram um legado para os cristãos. O escritor aos Hebreus menciona com frequência algumas peças existentes no Tabernáculo e os sacrifícios ali oferecidos e declara que todas as coisas são “uma alegoria para o tempo presente” (Hb 9.9).


Jesus usou várias vezes os tipos em suas pregações. Repetidas vezes se referia a eles e demonstrava como apontavam para Ele mesmo, como no caso do caminho de Emaús: “E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras” (Lc 24.27). Os eventos que tinham acontecido em Jerusalém estavam todos prefigurados nas Escrituras, como disse Jesus: “E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos” (Lc 24.44).


REGRA FUNDAMENTAL “A ESCRITURA INTERPRETA A ESCRITURA”

O primeiro interprete da Palavra de Deus foi o Diabo, lá no Jardim do Edém (Gn 3), que atribui a palavra divina um sentido que ela não tinha, falseando astuciosamente a verdade. Mais tarde o mesmo inimigo falseia o sentido da Palavra escrita, truncando-a, ou seja, citando a parte que lhe convinha e omitindo a outra (Mt 4).


Conscientes ou inconscientemente, muita gente tem imitado Satanás, interpretando a Bíblia de maneira totalmente equivocada. Esses tipos de interpretação tem como resultado grandes desgraças e catástrofes, exemplo: a Inquisição. Por isso a primeira e correta regra de interpretação bíblica deve ser: “a Bíblia interpreta a própria Bíblia”.


Ignorando ou violando esse princípio simples e racional temos encontrado suposto apoio nas Escrituras para muitos e nefastos erros. Fixando-se em palavras e versículos “arrancados” de seu conjunto ou contexto e não permitindo à Escritura explicar-se a si mesma, os judeus encontraram nela um apoio fictício para rejeitar a Cristo. Procedendo da mesma maneira, os papistas encontraram aparente apoio na Bíblia para os erros do papado e das matanças e torturas orquestradas pela Inquisição. Atuando assim, os espíritas pensam achar aparente apoio para sua errônea reencarnação; os russelitas para seus erros blasfemos. Se todos tivessem a sensatez de permitir que a Bíblia se explicasse a si mesma evitariam graves e desastrosos erros.


Por causa desse abuso aqui apontado, dize-se que na Bíblia se encontra apoio para muitas doutrinas totalmente erradas. Isso tudo é causado pela má vontade, a preguiça em estudá-la, o apego a ideias falsas e mundanas e a ignorância de toda regra de interpretação.


A primeira e fundamental regra da correta interpretação bíblica deve ser aquela que diz: a Escritura explicada pela Escritura. Cada escritor das Escrituras tinha seu estilo próprio, segundo a revelação que lhes era dada pelo Espírito Santo. Não é de admirar que se utilizasse de uma linguagem apropriada à ocasião, à sua formação. Dessa forma, para se obter o sentido completo das Escrituras não se pode desprezar o estudo do contexto, da gramática, das palavras e das passagens paralelas. Por isso a importância de recorrermos ao Estudo Bíblico do livro para o conhecimento do ambiente e da formação do escritor.


Não podemos menosprezar o abismo cultural resultante de significativas diferenças entre cultura dos antigos hebreus e a nossa. Devemos lembrar-nos que a Palavra de Deus foi originada de modo histórico e, por isso só pode ser entendida à luz da história. Cada um de nós vê a realidade através de olhos condicionados pela cultura e por uma variedade de outras experiências.


O pressuposto fundamental da teoria da hermenêutica é: “o significado de um texto deve ser aquele que o autor tinha em mente e não aquele que o leitor deseja impor-lhe”. O Senhor Jesus nos exorta a examinar as Escrituras para encontrarmos nela a verdade, e não interpretá-la para estabelecermos a verdade segundo a vontade do homem.


ANALISAR O TEXTO DENTRO DE TODO O SEU CONTEXTO

Num texto ou em uma sequencia de textos, o contexto é constituído pela sequencia de parágrafos ou blocos que precedem e se seguem imediatamente ao texto, e que podem de uma forma ou de outra, quando suprimidos, não revelar os seus desígnios.


Na Bíblia, assim como em toda boa literatura, devemos ter uma compreensão do todo a fim de apreciar e entender as partes. Nunca devemos tratar um livro da Bíblia como uma coleção de passagens isoladas. São histórias, poemas e cartas conectadas.


De acordo com Esdras Bentho, autor do livro: “Hermenêutica Fácil e Descomplicada”, o exame do contexto é importante por três motivos:


1- As palavras, as locuções e as frases podem assumir sentidos amplos;


2- Os pensamentos normalmente são expressos por sequencia de palavras e frases.


3- Desconsiderar o contexto acarreta interpretações falsas, além de se constituir uma eixegese.


TOMAR O TEXTO EM SEU SENTIDO USUAL E ORDINÁRIO

Os escritores das Sagradas Escrituras escreveram de modo que todos entendessem seus escritos. Para que isso fosse possível, valeram-se de palavras conhecidas e entendidas pelo povo em geral. Devido ao ambiente que viviam, bem como à cultura da sua época, fizeram uso abundante de várias figuras de linguagem, como a retórica, símiles, parábolas, etc. Além disso, ocorrem expressões peculiares do idioma hebreu, chamados hebraísmos. Precisamos ter consciência de tudo isso para podermos determinar qual é o verdadeiro sentido usual e comum das palavras e frases das Escrituras que chegaram até nós. Averiguar e determinar qual é o sentido usual e ordinário deve constituir, portanto, o primeiro cuidado da interpretação ou correta compreensão das Escrituras.


LEVAR EM CONTA A INTENÇÃO DO AUTOR

A Bíblia tem um lado humano, e assim nos encoraja como também nos desafia a interpretá-la. Ao falar através de pessoas reais, numa variedade de circunstâncias, por um período de 1500 anos, a Palavra de Deus foi expressa no vocabulário e nos padrões de pensamento daquelas pessoas, e condicionadas pela cultura daqueles tempos e circunstâncias. Por estarmos distantes deles no tempo, e às vezes no pensamento, precisamos aprender a interpretar a Bíblia levando em conta a intenção do autor humano.


LEVAR EM CONTA O ESTILO LITERÁRIO

Deus, para comunicar sua Palavra para os homens, escolheu fazer uso de quase todo tipo de comunicação disponível: história em narrativa, as genealogias, as crônicas, leis de todos os tipos, poesias de todos os tipos, provérbios, oráculos proféticos, enigmas, drama, esboços biográficos, parábolas, cartas, sermões e apocalipses, ou seja, a Bíblia contém uma riqueza infindável de estilos literários.


Quando conhecemos o estilo da literatura que estamos lendo, podemos entendê-la melhor. Lemos história com uma postura diferente de quando lemos uma poesia. Gêneros diferentes evocam expectativas e estratégias de interpretação diferentes.


LEVAR EM CONTA A BÍBLIA COMO UM TODO

A leitura da Bíblia enquanto Palavra de Deus pressupõe a fé na revelação e a disponibilidade em acolher tal Palavra como diretiva para interpretar e organizar a própria vida. Ler as Escrituras à luz de toda a mensagem bíblica, o completo consenso divino, não apenas nos previne de interpretações errôneas como também nos proporciona um entendimento mais profundo da Palavra de Deus.


Apesar de muitos autores humanos terem contribuído para escrever a Bíblia, Deus é o seu Autor último. E ao mesmo tempo em que a Bíblia é uma coleção de muitos livros, ela também é um só livro. A Bíblia contém muitas histórias, mas todas elas contribuem para uma única história. Consequentemente, devemos ler uma passagem, ou até mesmo um livro da Bíblia, no contexto do corpo do ensino e doutrina que flui da história completa da revelação progressiva da Palavra de Deus.


LEVAR EM CONTA O CONTEXTO HISTÓRICO

A compreensão dos textos bíblicos deve levar em conta as características dos textos. Antes de tudo, são livros que provem de um passado distante. O texto está distante do leitor pela língua e pela lógica interna, e também enquanto proveniente de um contexto histórico muito diferente. O leitor de hoje encontra-se numa situação diferente de compreensão, vive em condições de vida e dispõe de uma mentalidade diferente em relação aos primeiros leitores do texto. Tais distâncias temporais e culturais podem obstacular a compreensão. A leitura dos textos sob o aspecto histórico investiga o enraizamento de um texto na realidade histórica, ou seja, busca colocar às claras a relação entre o texto e o evento narrado.


A VISÃO DOS REFORMADORES

Os reformadores criam na Bíblia como sendo a Palavra inspirada de Deus. Mas, por mais que fosse sua concepção de inspiração, concebiam-na como orgânica ao invés de mecânica. Em certos particulares revelaram até mesmo uma liberdade notável ao lidar com as Escrituras. Ao mesmo tempo consideravam a Bíblia como a autoridade suprema e como côrte final de apoio em disputas teológicas. Em oposição à infalibilidade da Igreja, colocaram a infalibilidade da Bíblia. Sua posição é perfeitamente evidenciada na declaração que: a Igreja não determina o que a Escritura ensina, mas a Escritura determina o que a Igreja deve ensinar. O caráter essencial de sua exegese era o resultado de dois princípios fundamentais:


1)
A Escritura interpreta a Escritura;


2)
Todo o entendimento e exposição da Escritura deve estar em conformidade com a analogia da fé. Isto é, o sentido uniforme da Escritura.


- Lutero
. Ele prestou à nação alemã um grande serviço ao traduzir a Bíblia para o vernáculo alemão. Também se empenhou no trabalho de exposição, embora somente em uma extensão limitada. Suas regras hermenêuticas eram melhores que sua exegese. Embora não desejasse reconhecer nada além do sentido literal e falasse desdenhosamente da interpretação alegórica, não se afastou inteiramente do método desprezado. Defendeu o direito do julgamento particular; enfatizou a necessidade de se levar em consideração o contexto e as circunstâncias históricas; exigia fé e discernimento espiritual do intérprete; e desejava encontrar Cristo em todas as partes da Escritura.


- Melanchthon
. Foi a mão direita de Lutero e seu superior em erudição. Seu grande talento e conhecimento extensivo, também de grego e hebraico, estavam bem adaptados para transformá-lo em um intérprete admirável. Em sua obra exegética, procedia segundo os princípios sadios de que:

a) Escritura deve ser entendida gramaticalmente antes de ser entendida teologicamente;

b) A Escritura tem apenas um sentido claro e simples.


- Calvino
. Foi por consenso, o maior exegeta da Reforma. Suas exposições cobrem quase todos os livros da Bíblia, e o valor delas ainda é reconhecido. Os princípios fundamentais de Lutero e Melanchthon também foram os seus, e ele os superou ao conciliar sua prática com sua teoria. Viu no método alegórico, um artifício de Satanás para obscurecer o sentido das Escrituras. Acreditava firmemente no significado simbólico de muito o que se encontrava no Antigo Testamento, mas não compartilhava da opinião de Lutero de que Cristo deveria ser encontrado em todas as partes da Escritura. Além disso, reduziu o número de Salmos que poderiam ser reconhecidos como messiânicos. Insistiu no fato de que os profetas deveriam ser interpretados à luz das circunstâncias históricas. Como ele via, a excelência primeira de um expositor consistia de uma brevidade lúcida. Além disso, considerava que “a primeira função de um intérprete é deixar o autor dizer o que ele diz, ao invés de atribuir a ele o que pensamos que ele deveria dizer”.


- Os católicos romanos
. Esses não fizeram nenhum progresso exegético durante o período da Reforma. Não admitiam o direito de julgamento particular e defendiam em oposição aos protestantes, a posição de que a Bíblia deve ser interpretada em harmonia com a tradição. O Concílio de Trento enfatizou:

a) Que a autoridade da tradição eclesiástica devia ser mantida;

b) Que a autoridade suprema tinha de ser atribuída à Vulgata;

c) Que era preciso harmonizar a própria interpretação com a autoridade da igreja e do consenso unânime dos Pais da igreja.


Onde esses princípios prevalecem, o desenvolvimento exegético sofreu uma parada repentina.


 J. DIAS

FONTES

Hermenêutica – E. Lund & P.C. Nelson – Editora Vida

Hermenêutica – Módulo 5 da FTB – Editora Betesda

Princípios de Interpretação Bíblica – Louis Berkhof – Editora Cultura Cristã



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