SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Indiferença e Falta de Compromisso

INDIFERENÇA E FALTA DE COMPROMISSO


Pastor Araripe Gurgel


É assustadora a indiferença do chamado povo de Deus em relação ao que está acontecendo no meio da Igreja Evangélica. Indiferença ante a calamidade que está às portas, indiferença ante o juízo que se aproxima, indiferença para com a carência humana do Evangelho.


Num passado não muito distante, o crente era conhecido pelo seu vocabulário, pela forma de se vestir e pela sua ética. Hoje o que vemos é um grande número de pessoas dizendo-se cristãs, mas vivendo sem nenhum compromisso com Deus, interessadas apenas em seu bem estar, correndo atrás da prosperidade, não para abençoar outros irmãos, mas porque estão pensando apenas em si mesmas.


Escândalos após escândalos relacionados a dinheiro e sua gestão no ambiente da chamada “fé” aumenta o buraco da indiferença, do cinismo, da mornidão espiritual, do deboche, do escárnio, da irreverência e muitas vezes traz a morte da esperança.


A Igreja atual está cheia de um povo sem fidelidade a Deus, um povo sem Bíblia, sem compromisso com a verdade. O que muitos levam para a igreja é uma sacola contendo garrafa de água ou roupa de alguém para “benzer”. Consequentemente a igreja formada por este tipo de pessoas torna-se uma instituição sem doutrina, sem raízes, caracterizada pela rotatividade dos membros. A porta dos fundos acaba sendo maior que a da frente.


Vemos pessoas que pregam e vivem um evangelho sem conversão, um evangelho sem cruz, sem transformação de vida, sem santificação, enfim, um evangelho banalizado. E a responsabilidade é da própria igreja, que baixa o preço da mercadoria. Para encher seus templos muitos líderes não receiam em baixar o padrão, abrindo mão da ética, da sã doutrina e do compromisso com a verdade. O resultado, só pode ser um evangelho totalmente insipiente, desmoralizado, desacreditado.


Infelizmente o que vemos são pessoas que sequer são religiosas, mas possuem uma ética comportamental melhor que a de muitos cristãos. O que vemos são empresários cristãos, dignos, evitando contratar seus “irmãos em Cristo”, em razão do mau testemunho que apresentam.


Jesus disse que o joio cresceria no meio do trigo. Tem joio demais na igreja de hoje. A liderança precisa tomar uma posição, voltar a refletir o temor de Deus. A liderança precisa voltar a profetizar “assim diz o Senhor” e não o que temos ouvido de muitos, “assim dizem os senhores”, grandes dizimistas ou detentores de algum tipo de poder natural.


A Igreja brasileira precisa resgatar com urgência a importância de sua voz profética. E essa voz começa com a palavra arrependimento. Foi a primeira palavra que saiu das bocas de Jesus, João Batista e Pedro, só para citar alguns exemplos. Também precisa resgatar sua ética. Deixar de se vender em troca de riquezas terrenas.


Nós aprendemos desde cedo que a graça é favor imerecido. É algo que está para além das posses de nossas virtudes. Justamente por essa razão que é de graça. No entanto, na nossa ideia do que seja graça, enquadram-se apenas as felizes, fáceis, saborosas e carismáticas manifestações de bênçãos de Deus sobre nós (Ef. 1.3). Nunca pensamos em graça como privilégio de sofrer.


Todavia, também esta dimensão está presente na teologia do conceito de graça: “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele” (Fp 1.29). Sem dúvida tal conceito não tem nada de convidativo e empolgante em si mesmo. Nosso mundo é cada dia mais patrocinador da idéia do não sofrimento. Somos a sociedade do analgésico. A anestesia psicológica, existencial e social é a nossa maior medicina.


Boa parte da liderança e crentes de hoje, estão trocando seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas. São os vendilhões do templo, trocam o eterno pelo passageiro. A igreja está adoecida, em razão de sua própria promiscuidade.


Precisamos devolver o lugar da Bíblia na Igreja. Mas Bíblia pura, precisamos voltar à Palavra, precisamos de líderes que tenham coragem de dizer: isto é pecado! A Igreja precisa ser uma igreja pura, que reflita o amor de Deus. Formada por verdadeiros redimidos, por gente comprometida com Deus, que ama mais a Cristo que a própria vida e não mais a própria vida que Cristo.



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