SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Amuletos e Superstições

AMULETOS E SUPERSTIÇÕES


Dia desses, vi um carro que tinha a Bíblia aberta em cima do painel. O carro certamente sofrera um acidente, pois estava amassado. Não pude deixar de observar que a presença de uma Bíblia ali não tinha adiantado de nada. Mas alguém que crê em superstição logo diria que o carro estava amassado porque a Bíblia não estava aberta no salmo 91.


Hoje, quanta gente tem transferido a sua confiança e tranqüilidade para amuletos, como ferraduras, pés de coelhos, figas e hábitos como não passar por baixo de escada? Quebrar um espelho ou cruzar com gato preto, então dá sete anos de azar. Já para espantar os maus espíritos ou repelir o azar, existe a carranca, muito usada naquelas embarcações do rio São Francisco.


No meio evangélico, muitos tratam pejorativamente essas crendices, mas nós crentes também temos nossos amuletos e superstições: copo de água ou lenço que podem receber a benção da oração de algum “sacerdote”, jejum para dobrar a vontade de Deus. Vale até adesivo no carro com versículo bíblico ou com alguma frase de “poder”, o que na prática tem o mesmo efeito da carranca.


Talvez alguém possa me tratar com descaso, afirmando que estou esquecendo o significado simbólico e o imaginário que está por trás desses rituais e objetos religiosos; mas neste momento estou preocupado não o que tudo isso significa para o individuo, mas seu significado teológico e bíblico. Na verdade queremos um Deus que funcione segundo a nossa vontade, que faça a nossa vida dar certo, que autentique nosso projeto de vida boa. Não estamos preocupados com uma mudança radical de vida, olhando a nossa existência do ponto de vista de Deus.


Tratar a vida espiritual achando que a coisa funciona como um remédio é fácil. Tome a água abençoada, ou ponha o lenço na cabeça, e Deus vai fazer a coisa dar certo. Esquecemos que Deus nos deu o atributo chamado liberdade, para que muita coisa dependa de nós também. Por isso precisamos pedir-lhe sabedoria para agir corretamente.


De nada adiantará você colocar um adesivo no carro com os dizeres “propriedade de Jesus”, se for imprudente ao volante. De nada vale fazer jejum pedindo um emprego para Deus, se você é preguiçoso, incompetente ou trata mal o chefe e os colegas de trabalho. Talvez sejam esse os motivos de você estar desempregado.


Em vez de alimentarmos crendices e transferirmos nossa responsabilidade para objetos “sagrados”, vamos assumir o risco de construir uma história com dignidade pedindo sabedoria a Deus e buscando os referenciais seguros em sua Palavra, para que nossas decisões sigam o caminho da prudência. No que depender de nós, façamos nossa parte, e vamos confiar que Deus cuidará do que ultrapassar nossas condições. Vamos crer em milagres, mas no momento e do jeito que o Senhor quiser fazê-los.


Lourenço Stelio Rega

Teólogo, educador e escritor

Contatos: www.wtica.pro.br

Publicado na revista Eclésia

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