SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Dom da Graça, Favor Imerecido

O DOM DA GRAÇA, FAVOR IMERECIDO

Pastor Araripe Gurgel


O pecado criou uma enorme dificuldade para nossa compreensão do amor divino e para a forma como respondemos a este amor em todas as nossas relações.

O dom da graça de Deus é a manifestação do seu livre amor e representa um imerecido favor concedido aos homens. A graça de Deus sempre foi o único meio de salvação oferecido aos homens em ambos os concertos. Deus brindou-nos com seu filho unigênito envolvendo o mundo todo numa atmosfera de graça, tão real quanto o ar que respiramos.

A todos os que se apropriarem desse Dom imerecido, respirando esta atmosfera vivificante, é dado o privilégio de viver e se desenvolver até que a completa imagem de Deus seja restaurada em suas vidas.

A graça, porém, não invalida as exigências da Lei Moral; ao contrário, ela a exalta e a torna gloriosa, como expressão da vontade de Deus, já que ela e Santa Justa e Boa. (Romanos 7:12).

Embora sejamos salvos unicamente pela graça divina e não pelas nossas obras, o reconhecimento do Seu amor para conosco nos impele a nos harmonizarmos com a sua vontade, não pelos nossos esforços, mas, pelo poder do Espírito Santo que em nós habita, Romanos 8:9,14,16.

A graça de Deus não é apenas o favor que Ele mostra, mas aquilo que Ele faz pelas pessoas, de sorte que a salvação, só é possível mediante o maravilhoso dom da graça de Deus. (Romanos 3:20-24; 5:15,17,18,20,21; Tito 2:11; Efésios 2:8,9; Gálatas 2:21).

A forma como amamos e temos sido amados nunca foi totalmente isenta de culpa, medo, insegurança, condição, manipulação ou chantagem. Mesmo havendo certo grau de pureza em grande parte dos nossos sentimentos, a presença dos sentimentos negativos nos acompanham em quase todos os nossos relacionamentos.

O perdão de Deus nos foi ofertado por Cristo na cruz do Calvário, e não há nada que possamos fazer, pois todo o preço já foi pago. Toda a experiência cristã é fruto da graça de Deus, que experimentamos por meio da fé naquilo que Cristo fez por nós.

Sempre foi muito difícil aceitar uma oferta, um presente, que não nos custe nada, sem que tenhamos de fazer algo para merecê-lo, principalmente se esse presente for muito caro.

Durante muito tempo, este era o pensamento da humanidade: era preciso fazer alguma coisa, realizar uma caridade, qualquer bem que nos fizesse merecedores de tal amor.

Os reformadores reagiram a isso dizendo que não há nada a ser feito: Deus, por meio do seu Filho, fez tudo por nós. O apóstolo Paulo havia também reagido a tal pensamento, afirmando que somos salvos, não pelas obras, mas pela graça de Deus. Esta verdade tirou um enorme fardo opressivo que a religião sempre impôs ao ser humano.

Porém, se no passado sempre houve essa necessidade de se fazer alguma coisa para merecer o amor de Deus, hoje temos outro cenário mais sutil e tão perigoso quanto aquele, que é a necessidade de Deus fazer algo para merecer o nosso amor.

A cultura pós moderna gerou uma inversão nesse processo. No passado, o sentimento de culpa e a consciência do pecado eram grandes e faziam do ser humano alguém que não merecia o amor divino.

Hoje, com o crescimento do individualismo, da cultura do consumo e dos direitos do consumidor, da busca pela auto realização e pela auto-suficiência, a sociedade vem produzindo uma geração de narcisistas indulgentes consigo mesmos, que precisam ser bajulados, mimados e adulados, sem que isso sequer produza algum sentimento de gratidão.

Muitas igrejas e pregadores estão oferecendo os "mimos" de Deus na forma de entretenimento religioso, promessas de vantagens econômicas, barateamento da santidade ou garantias de sucesso e saúde para uma geração entediada e frustrada, na esperança de que correspondam com um mínimo de generosidade no ofertório.

Para aqueles que se sentem indignos e procuram fazer alguma coisa que os tornem merecedores do amor de Deus, ou para aqueles que se julgam lindos e maravilhosos, para os quais o Senhor tem de se desdobrar para conquistar seu amor, o que vemos é a enorme dificuldade que o pecado criou para a compreensão do amor divino e para a forma como precisamos responder a esse amor em todos os nossos relacionamentos.

O Pai celeste nos ama incondicionalmente, isto é, não impõe ou exige qualquer condição para nos amar. João, o apóstolo do amor, afirma que "Deus nos amou primeiro", revelando que o amor tem sempre sua origem no Senhor.

Não fomos nós que fizemos alguma coisa que nos torasse merecedores do seu amor, mas ele livremente nos amou "quando nós éramos ainda pecadores". João ainda nos afirma que "Deus nos amou de tal maneira que deu seu único Filho" e nos provou a natureza desse amor na cruz do Calvário, assumindo nossa culpa e oferecendo-nos seu perdão.

Seja como pecadores dominados pela culpa seja como narcisistas auto-indulgentes, todos nós permanecemos indignos do amor de Deus por uma razão simples: não podemos compreender experimentar, nem mesmo responder à pureza, santidade e perfeição do amor divino, se não for por meio de Cristo. O pecado não nos permite isso.

No entanto, Deus permanece nos amando em Cristo Jesus. Isso significa que, por causa da humanidade de Cristo e por ter ele assumido sobre si nossas culpas e pecados, e ter se oferecido a Deus em sacrifício por nós, o amor de Deus nos é doado gratuitamente por meio dele. Isto é graça.

Não fizemos nada para merecer, continuamos indignos, mas Deus, em Cristo, revelou-nos seu amor e, por meio da fé, experimentamos a graça redentora.

Esse amor que nos abre tanto para receber gratuitamente o perdão e a bondade quanto para reparti-los. É o amor de Deus em Cristo que nos liberta do pecado ou da auto-indulgência e nos conduz num caminho de comunhão e liberdade. É esse amor que nos liberta do egoísmo e nos transforma em pessoas altruístas.

Que a graça de Deus, mais uma vez, seja generosa sobre todos nós, libertando-nos das incompreensões do amor.

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