SANTO VIVO - ESTUDOS BÍBLICOS
Vivendo na Espiritosfera

VIVENDO NA ESPIRITOSFERA

*Lourenço Stelio Rega


Ouvi esta palavra a primeira vez de um aluno. É um termo novo para se referir pejorativamente ao mundo espiritual. Indica também a centralização da vida nas coisas espirituais, deixando de lado a realidade do cotidiano. O sociólogo Max Weber mencionou que no mundo da religião há diversos atores e, entre eles, os que operacionalizam a religião ou os “profissionais da religião”. Há o mago que age autônomo e é carismático no sentido de chamar pessoas a segui-lo; o sacerdote, que procura manter o funcionamento da religião e defende as suas instituições e crenças básicas; e o profeta que em geral, reage contra o que é instituído e, por isso, entra em confronto com o sacerdote.


Weber fala ainda de dois tipos de profetismo: o ascético, que conduz as pessoas, ainda vivendo no mundo, a adotarem um distanciamento do modo mundano de se viver; é o místico, que refere-se à atitude contemplativa do religioso a ponto de procurar se distanciar do mundo e pouco se importar com as questões éticas da vida. São dois extremos. E preocupa o fato de que tem havido um crescimento acentuado no tipo de profetismo místico no meio dos crentes. Parece que as pessoas estão mais preocupadas em “malhar a alma”, num adoracionismo desenfreado, sem se preocupar com seu papel no mundo dos vivos. Isso não é adoração, mas adoracionismo, uma recente “síndrome” em que o crente se entrega de corpo e alma a uma espécie de transe espiritual, num ambiente de entretenimento e catarse.


Acredita-se que a adoração, nesse sentido, seja produtora de milagres, sobretudo materiais. Se no passado o salvacionismo era o eixo central não só da doutrina, mas da pregação, da liturgia e das práticas eclesiásticas, o adoracionismo, fruto de instintos humanos, vai acabar levando a igreja a uma vida anestesiada e descompromissada com o cotidiano. É como tentar viver no monte da transfiguração, contemplando as maravilhas de Deus, sem se dar conta de que lá embaixo há toda sorte de dramas e dilemas humanos. Acontece que viver na espiritosfera é perigoso. O maior risco é a desconexão da realidade. E o adoracionismo não leva o crente a ter uma vida significativa e influente neste mundo caótico.


Está errado então adorar? Evangelizar? De modo algum. A adoração é o fim para o qual fomos criados e a salvação se refere a um importante passo para nos conduzir a Deus. Os extremos é que são prejudiciais. O culto público há de ser resultado de nossa vida particular de comunhão com Deus e não um mero meio de extravasar nossos instintos. O equilíbrio é o caminho.


Esta é a nossa opnião.



*Teólogo, educador e escritor

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